Doença Periodontal em Pessoas com Necessidades Especiais.

  Artigo, 17 de Fev de 2018

Evolução da doença: comprometimento de gengivas, ligamento e osso, levando à perda gradativa de inserção do dente.

Evolução da doença: comprometimento de gengivas, ligamento e osso, levando à perda gradativa de inserção do dente.

Sangramento gengival sempre é um sinal de alerta! Isso porque é o primeiro e mais comum sinal clínico da doença periodontal. A doença é causada por bactérias que se aderem à superfície do dente e sobrevivem de restos de alimentos, e com o passar do tempo, provocam “irritação” da gengiva que sangra a qualquer estímulo, inclusive durante a escovação. Conforme a colônia de bactérias envelhece, ela cresce e endurece, formando o tártaro. Pode haver mau-hálito, inchaço, dor (principalmente a variações de temperatura) e/ou presença de pús, mas nenhum destes sinais é obrigatório. A inflamação constante da gengiva faz com que o organismo comece a reabsorver o osso ao redor do dente, com isso os dentes ficam mais alongados e podem até amolecer e cair. Alguns casos podem necessitar de intervenção cirúrgica. Não é à toa que a doença periodontal é o principal fator de perda precoce dos dentes em todo o mundo!

Além de problemas com a higiene dos dentes, outros fatores podem ajudar na progressão da doença, tais como:

  • Baixa na imunidade: Com a diminuição das defesas, as bactérias avançam mais facilmente, desta forma, indivíduos com a imunidade comprometida têm maior facilidade de desenvolver a doença e/ou maior agressividade em sua progressão. Alguns fatores podem causar baixas na resposta imune, tais como, Estresse (sobrecarga física, mental ou emocional), problemas hormonais (como por exemplo nos pacientes com Diabetes), dieta pobre (pouco consumo de frutas, verduras e legumes),
  • Fatores bucais: Estes fatores determinam o meio onde as bactérias se desenvolvem, como a qualidade da saliva e das gengivas, a presença de dentes “tortos” (que podem acumular mais restos de alimentos ou limitar a ação da escova e do fio), a presença de cavidades de cárie ou restaurações irregulares, entre outros fatores.
  • O uso de certos medicamentos: Alguns medicamentos podem atuar diminuindo a qualidade da resposta imune do indivíduo (como ocorre durante uma quimioterapia) ou aumentando a reatividade da gengiva à pequenos acúmulos de placa.
  • Pacientes com comprometimento neurológico (Parkinson, histórico de AVC, paralisias, etc), deficiência intelectual ou transtorno comportamental. As barreiras motoras e cognitivas limitam a qualidade da higiene do indivíduo. A ajuda profissional, de um terapeuta ocupacional, fisioterapeuta ou mesmo de um cuidador pode ser necessária.

A avaliação do paciente deve ser global, e é comum detectar os problemas acima ao exame clínico inicial. Por isso o dentista ainda tem responsabilidade de reeducar o paciente (ou seu cuidador) em hábitos específicos para sua condição, abordando temas que vão desde a adequação da higiene da boca até acompanhamento médico ou mesmo dicas para uma vida mais saudável.

Há algum tempo, pesquisas têm relacionado as bactérias da doença periodontal com a flora bacteriana das pneumonias que ocorrem em pacientes hospitalizados. Estas pesquisas descobriram que a maior parte dos casos de pneumonia nosocomial acontece em pacientes sob cuidados intensivos que não recebem higiene dos dentes. A pneumonia nosocomial é um dos maiores fatores de mortalidade em pacientes com respiração assistida, e justifica o acompanhamento o odontológico regular do paciente hospitalizado.

 Em todos os casos, a prevenção é o melhor remédio!

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Dr. Guilherme Genovez

Cirurgião-Dentista

 Londrina, PR

Formado em 2001, atuei em consultórios e clínicas particulares nas cidades de Florianópolis/SC e Biguaçu/SC até 2005, quando iniciei na saúde pública na cidade de Major... Leia mais

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