O Álcool Presente nos Enxaguantes Bucais Contribui para o Aumento das Taxas de Câncer Oral

  Artigo, 18 de Dez de 2012

A literatura científica pesquisada até o momento, não fornece dados suficientes para estabelecer a relação entre o uso de enxaguatório bucal contendo etanol e a ocorrência de câncer de boca, porém estudo caso controle de base hospitalar, realizado entre 1998 e 2002 na área metropolitana de São Paulo, SP. Foram incluídos 309 pacientes com carcinoma epidermóide de boca e orofaringe e 468 controles, pareados com os casos por sexo e idade. Os casos foram levantados em sete hospitais que concentram a assistência médica a pacientes com a doença e os controles rastreados em cinco hospitais gerais dentre os sete. Informações pormenorizadas sobre tabagismo, consumo de álcool, escolaridade, saúde bucal e práticas de higiene bucal foram obtidas por entrevista. Por meio de análise de regressão logística não condicional foram calculados odds ratios (OR) e intervalos com 95% de confiança (IC 95%), ajustados por sexo, idade, nível educacional, tabagismo e consumo de álcool, bem como para as demais variáveis de saúde e higiene bucal. RESULTADOS: Uso de prótese bucal total não se associou a câncer oral, mas sangramento gengival freqüente apresentou alta associação (OR=3,1; IC 95%: 1,2;7,9). Nunca ter consultado dentista mostrou associação com câncer oral (OR=2,5; IC 95%: 1,3;4,8). Uso diário de enxaguatórios bucais apresentou associação mais intensa com tumores de faringe (OR=4,7; IC 95%: 1,8;12,5) do que com tumores de boca (OR=3,2; IC 95%: 1,6;6,3).CONCLUSÕES: Sangramento gengival, ausência de consultas Odontológicas e uso regular de enxaguatórios bucais foram fatores associados ao câncer oral, independentemente de tabagismo e consumo de bebida alcoólica, o incentivo ao consumo indiscriminado de enxaguatórios deve ser criticado. Observa-se um grande investimento na indução ao uso do produto. E é importante dizer que, ao contrário da pasta, da escova e do fio dental, o colutório não tem indicação universal. É preciso concentrar a utilização para casos específicos.

Além de não ser essencial à saúde oral, o uso frequente de enxaguatórios bucais com álcool aumenta os riscos de câncer de boca e da faringe.

Uma revisão científica publicada no fim de 2008 na Revista da Academia Dental Australiana compilou estudos do mundo todo que encontraram essa relação.

De acordo com os pesquisadores, há evidências suficientes para aceitar a idéia de que enxaguatórios bucais com álcool contribuem para aumentar a taxa de câncer oral.

Grande parte dos produtos comercializados no Brasil contém álcool. Um estudo brasileiro realizado com 309 pacientes e publicado no ano passado na "Revista de Saúde Pública" também encontrou a mesma associação.

Algumas marcas chegam a ter 26% de álcool, e há pessoas que usam todos os dias. Hoje existem produtos no mercado sem álcool, que devem ser os escolhidos, De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fabricantes são obrigados a informar na embalagem a presença de álcool na composição.

O álcool presente nos enxaguantes contribui para o aumento das taxas de câncer oral de forma similar às bebidas alcoólicas, sabe-se que o álcool é o segundo fator de risco para a doença, depois do tabagismo, aumentando de cinco a nove vezes os riscos.

O produto tem álcool não porque é um antisséptico, mas porque é um veículo muito eficiente, industrialmente conveniente e muito barato. Por isso as versões sem álcool tendem a ser mais caras. O álcool não é um agente causador de câncer isoladamente, mas uma enzima do organismo o transforma em acetaldeído, substância que pode alterar as células da boca e causar tumores na região.

O problema é usar diariamente o produto, pois o dano constante não dá tempo de as células se repararem. O uso de enxaguatórios bucais [com álcool] precisa ser mais estudado, mas é algo parecido com o que ocorre com o cigarro: quanto mais exposição, maior o risco.

Por isso,Cirurgiões Dentistas recomendam o uso do produto sem álcool,e que seja indicado pelo profissional de Odontologia.

O produto é um bom auxiliar na higiene bucal, mas não deve conter álcool. As pessoas acham que um enxágue que queima a boca é melhor, mas um produto eficiente, não precisa dar essa sensação. A substância antisséptica não é o álcool.

Indicações

Dentistas recomendam o uso de enxaguatórios após cirurgias, raspagem dental, casos de alta incidência de cárie, doenças periodontais e para pessoas que não têm coordenação motora para realizar uma boa escovação.

Para o restante da população, o uso é opcional, apesar de boa parte da publicidade desse tipo de produto sugerir que ele combate o mau hálito.

Do ponto de vista da higiene bucal, não é necessário. Quem tem boa higiene bucal geralmente não tem halitose e, se tiver, não será o enxaguatório que vai resolver o problema.

Especialistas criticam a falta de controle desse tipo de produto por parte da vigilância sanitária. Os enxaguatórios são registrados como cosméticos na Anvisa, e fabricantes de produtos que não contêm flúor, ação antiplaca nem antisséptica não são obrigados a registrá-los somente notificá-los à agência.

A disponibilidade de enxaguatórios bucais contendo diferentes ingredientes ,óleos essenciais, clorexidina e cloreto de cetilperidíneo é grande. A maioria deles contém entre 5 e 25% de álcool, que é utilizado para estabilizar e dissolver ingredientes ativos, proporcionar uma sensação refrescante,aumentar o prazo de validade e prevenir a contaminação por microrganismos.No entanto, algumas preocupações têm sido levantadas acerca dos possíveis efeitos colaterais na cavidade bucal devido ao uso prolongado de colutórios contendo álcool. O uso desses produtos são desaconselhados para crianças, gestantes, lactantes,diabéticos, etilistas, pacientes que usam metronidazol,pacientes com xerostomia,pacientes com mucosite ou que estão sob radioterapia,bem como pacientes imunocomprometidos.

A.A Cruvinel,A.R.

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Autora

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Dra. Aila Cruvinel

Ortodontista e Ortopedista dos Maxilares

 ,

Cirurgiã Dentista -Especialista em Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares.

Pós-Graduada em Odontologia Estética e Estudos das Alterações do Hálito.

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