Toxina Botulínica Pode Ajudar no Controle do Bruxismo

  Artigo, 02 de Mai de 2019

Toxina Botulínica Pode Ajudar no Controle do Bruxismo

Estudo realizado na Faculdade São Leopoldo Mandic verifica que, mesmo em baixa dosagem, a toxina botulínica reduz a atividade elétrica dos músculos mastigatórios nos pacientes com bruxismo

O bruxismo compreende os movimentos de apertar e ranger os dentes, com ou sem dor, durante a vigília ou dormindo. É um dos problemas mais observados nos consultórios odontológicos, e suas consequências podem ser graves, envolvendo dores musculares, fraturas de dentes, raízes, próteses e até implantes.

Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, avaliou a eficácia da toxina botulínica para alívio do bruxismo. “A toxina botulínica é um excelente recurso terapêutico moderno que proporciona relaxamento muscular e está em constante ascensão na área da saúde terapêutica e estética pelos benefícios que proporciona”, argumenta a cirurgiã-dentista e pesquisadora responsável pelo estudo, Dr.a Luciana Ribeiro de Campos, que foi orientada pelo Prof. Dr. Ney Soares de Araújo.

Por meio de um eletromiógrafo de superfície, que registra a atividade elétrica muscular com eletrodos adesivados na pele do paciente, a pesquisa avaliou a capacidade de relaxamento muscular e o alívio dos sintomas do bruxismo após a aplicação de toxina botulínica nos músculos da mastigação (masseter e temporal).

Os efeitos da aplicação da toxina botulínica foram avaliados em seis momentos: 1 antes e 5 após a aplicação, em intervalos de tempo de 1, 2, 4, 8 e 12 semanas. Também foi feita uma avaliação por meio de questionário, no início e final dos registros.

Segundo Dr.a Luciana, vinte pacientes com bruxismo participaram da pesquisa, e todos eles descreveram grande alívio com relação ao bruxismo. “O estudo concluiu que, mesmo em baixa dosagem, a toxina botulínica promoveu significativa redução na atividade elétrica dos músculos mastigatórios nos pacientes com bruxismo.”

No entanto, a pesquisadora enfatiza que outras pesquisas são necessárias com doses comparativas e maior número de participantes. 

Tipos de bruxismo e eficácia do tratamento

Dr.a Luciana explica que o bruxismo é dividido em bruxismo primário e bruxismo secundário, enfatizando que as causas desse problema influenciam na dificuldade ou facilidade de controlá-lo.

O primário está relacionado às causas emocionais, especialmente ao estresse emocional. O bruxismo secundário está relacionado às condições sistêmicas, desordens neurológicas, distúrbios mentais, efeitos de medicamentos e de drogas de abuso.

“Normalmente, o bruxismo primário é mais fácil de ser controlado, em relação à dose de toxina botulínica aplicada e o resultado do tratamento. Já o bruxismo secundário, provavelmente, exigirá doses maiores de toxina botulínica e, talvez, recursos de tratamentos associados mas, mesmo assim, sempre poderá proporcionar grande alívio para o paciente”, afirma a cirurgiã-dentista.

Benefícios da toxina botulínica

“A toxina botulínica é um recurso terapêutico para o paciente que sofre com o bruxismo, com fortes dores musculares ou que apresenta fraturas de dentes, raízes, restaurações e até mesmo de barras de implantes de titânio. O paciente pode ter esse quadro solucionado temporariamente de forma simples, minimamente invasiva e com custo não tão alto”, avalia Dr.a Luciana.

O estudo ainda verificou que as doses aplicadas de toxina botulínica podem ser menores do que aquelas sugeridas pela literatura. “Isso significa menor custo para o paciente com a mesma eficácia de tratamento”, afirma.

Por enquanto, todos os tratamentos existentes para o bruxismo ainda são paliativos e necessitam, por exemplo, de várias sessões para ajuste das placas acrílicas, que ainda é a primeira opção de tratamento. Além disso, há desconforto no uso desse aparelho intraoral, relatado especialmente por pacientes obesos ou que respiram pela boca.

“A toxina botulínica é uma ótima opção de tratamento por não exigir nada do paciente e por proporcionar uma boa duração de efeito ao longo do tempo, pois reduz hipertrofias musculares quando existentes e, com isso, também a potência muscular”, conclui a pesquisadora.

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