Tratamento de Dentes com Perfuração Usando Cimento Reparador a Base de Mta

  Caso clínico, 31 de Ago de 2017

Resumo

Introdução

A perfuração radicular é um acidente de técnica em que é feita uma abertura artificial, comunicando a câmara pulpar, canais radiculares e tecidos periapicais. Um bom prognóstico depende que a perfuração seja selada com um material biocompatível que além das propriedades físicas, permita o reparo dos tecidos próximos (Juaréz Broon et al., 2006).

Historicamente, vários materiais foram usados para obturações retrógradas e reparação de perfurações, tais como amálgama, cimentos a base de óxido de zinco e eugenol, resina composta e cimentos de ionômero de vidro. Infelizmente, nenhum destes materiais foi capaz de satisfazer as necessidades totais de um material ideal (Johnson, 1999).

O Agregado de Trióxido Mineral (MTA) foi descrito pela primeira vez na literatura científica dentária em 1993 e foi aprovado para uso endodôntico em 1998 (Lee, 1993; Schmitt, Bogen, 2001). E desde então, tem sido utilizado em diversas situações, como vedamento de perfurações, principalmente por sua capacidade de formar tecido mineralizado, habilidade de selamento e biocompatibilidade (Torabinejad, Chivian, 1999; Torabinejad, Parirokh, 2010; Guerreiro-Tanomaru et al., 2016).

O MTA é o material que apresenta alto potencial para indução da dentinogênese, cementogênese, é antimicrobiano e promove ainda selamento marginal adequado, prevenindo infiltrações, além de ser biocompatível e ter uma matriz mais parecida com a cor dos dentes, evitando o escurecimento (Mota et al., 2010; Guerreiro-Tanomaru et al., 2016). O presente artigo relata dois casos clínicos de dentes com perfuração as quais durante o tratamento endodôntico foram preenchidas com cimento reparador a base de MTA.

Relato dos casos

Paciente gênero feminino, 12 anos de idade, compareceu no Projeto de Extensão – Atendimento Clínico de Pacientes com necessidade de tratamento endodôntico e restaurador em dentes molares, da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU), com estória prévia (25 dias antes) de dor provocada, localizada, pulsátil e de longa duração no dente 46, o qual havia passado por consulta de emergência em clínica particular.

Na primeira consulta no projeto, a paciente apresentava clinicamente abertura coronária do dente 46, resposta exacerbada ao teste térmico frio (Endo-Ice, Maquira, Paraná, Brasil) e ausência de dor nos testes de percussão vertical e horizontal. Radiograficamente, o dente apresentava câmara pulpar ampla, canais radiculares normais, e espessamento do ligamento periapical, principalmente na região de furca (Figura 1A e 1B). Após anestesia e isolamento absoluto foi melhorada a abertura coronária com broca multilaminada de ponta inativa (Endo Z, Angelus Indústria de Produtos Odontológicos S/A, Londrina, Brasil) e remoção do tecido cariado com colher de dentina devido a presença de uma perfuração ao nível do terço cervical na vestibular do canal distal (Figura 2). O preparo dos terços cervical e médio foi feito utilizando limas manuais Hedströen #15, #20 e #25 (Dentsply-Maillefer, Ballaigues, Suíça) e irrigação abundante ativada manualmente com hipoclorito de sódio 1%. Medicação intracanal de Hidróxido de cálcio PA (Biodinâmica, Ibiraporã, Brasil) associado a soro fisiológico foi colocada na perfuração e nos canais radiculares e em seguida selados com cimento provisório.

Após 15 dias, os três canais foram instrumentados com o sistema rotatório Protaper Universal (Dentsply) até a lima F3, irrigados com hipoclorito de sódio a 1% e novamente medicados com hidróxido de cálcio. Uma semana depois, a perfuração foi preenchida com cimento reparador a base de MTA (Angelus) utilizando aplicador de MTA de diâmetro 1,2 mm (Angelus Indústria de Produtos Odontológicos S/A) (Figuras 3A, 3B, 3C, 3D, 3E e 4A, 4B) . Os canais foram obturados pela técnica de condensação lateral e vertical com cimento endodôntico a base de MTA (MTA Fillapex, Angelus Indústria de Produtos Odontológicos S/A) e cones de guta percha (Dentsply) (Figura 5A, 5B).

Na última sessão, foi feito alívio do canal distal com borcas de largo #2 e #3 (Dentsply) e cimentação de pino de fibra de vidro #1 (Reforpost, Angelus Indústria de Produtos Odontológicos S/A) com cimento a base de resina dual (Allcem, FGM Produtos Odontológicos, Santa Catarina, Brasil) e reconstrução da coroa com resina composta (Filtek Z250 XT, 3M ESPE, São Paulo, Brasil) (Figura 6).

A proservação foi realizada após 6 meses, mostrando ausência de sinais patológicos clínicos e radiográficos (figura 7A, 7B). 

Conclusão

Após o acompanhamento clinico e radiográfico dos casos após 6 meses do término do tratamento, observou-se que o MTA foi efetivo, tendo sucesso no selamento da perfuração. Permitindo assim, a manutenção do elemento dental, devolvendo função e saúde periodontal ao paciente.

Referências: 

Johnson BR. Considerations in the selection of a root-endfilling material. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 1999;87:398–404.

Juárez Broon N, et al. Healing of root perforations treated with Mineral Trioxide Aggregate (MTA) and Portland cement. J Appl Oral Sci. 2006 Oct;14(5):305-11.

Lee SJ, Monsef M, Torabinejad M. Sealing ability of a mineral trioxide aggregate for repair of lateral root perforations. J Endod 1993;19:541–4.

Mota CCBO, et al. Properties and biological aspects of mineral trioxide aggregate: literature review. Rev Odontol UNESP. 2010; 39(1): 49-54.

Schmitt D, Bogen G. Multifaceted use of ProRoot MTA root canal repair material. Pediatr Dent 2001;23:326–30.

Guerreiro-Tanomaru JM, et al. Effect of addition of nano-hydroxyapatite on physico-chemical and antibiofilm properties of calcium silicate cements. J Appl Oral Sci. 2016;24(3):204-210.

Torabinejad M, Chivian N. Clinical applications of mineral trioxide aggregate. J Endod. 1999 Mar;25(3):197-205.

Torabinejad M, Parirokh M. Mineral trioxide aggregate: a comprehensive literature review--part II: leakage and biocompatibility investigations. J Endod. 2010; 36(2): 190-202.

Autor: 

Maria Antonieta Veloso Carvalho de Oliveira1,

Nayara Rodrigues Nascimento Oliveira2,

Luciana Arantes Porto Carvalho3,

Gisele Rodrigues da Silva4

1Professora Doutora da Área de Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU) - MG. Coordenadora do Projeto de Extensão Atendimento a pacientes com necessidade de tratamento endodôntico e restaurador em dentes molares da FOUFU.

2Especialista em Endodontia, voluntária externa do Projeto de Extensão Atendimento a pacientes com necessidade de tratamento endodôntico e restaurador em dentes molares da FOUFU.

3Professora Doutora da Área de Endodontia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU) - MG.

4Professora Doutora da Área de Dentística e Materiais Dentários da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia (FOUFU) - MG. 

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