Carcinoma Epidermóide em Paciente Fumante - Relato de Caso

  Artigo, 25 de Dez de 2010

Aspecto inicial da lesão

Aspecto inicial da lesão

INTRODUÇÃO

Dentre as neoplasias de cabeça e pescoço, o Carcinoma Epidermóide ou Carcinoma Espinocelular, como também é conhecido, é a neoplasia da cavidade bucal mais comum (Coleman & Nelson, 1996)[2]. O estudo das neoplasias malignas da cavidade bucal e estruturas adjacentes constitui fato importante na odontologia por causa do papel que o cirurgião-dentista representa no diagnóstico e tratamento destas lesões. Embora os cânceres não representem a maioria das condições patológicas atendidas pelo dentista, são de grande significado, uma vez que têm a capacidade de colocar em risco a saúde e a longevidade do paciente (SHAFER et al, 1985)[1].

O fato a se lamentar é que muitas lesões bucais não são reconhecidas como malignas precocemente, seja por equivoco de diagnóstico, ausência de familiaridade com os achados clínicos ou simplesmente por exame incompleto e inadequado da boca, perdendo assim a oportunidade de detectar a doença ainda em estágio precoce e tratável.

O presente trabalho tem como finalidade, relatar um caso de Carcinoma Epidermóide diagnosticado por aluno de odontologia ainda em estágio inicial, na Clinica de Diagnóstico e Promoção de Saúde Bucal da Universidade Católica de Brasília – UCB.

RELATO DO CASO

Paciente HRG, sexo masculino, leucoderma, 49 anos de idade, serralheiro, usuário de tabaco há 30 anos, portador de prótese muco-suportada, procurou o serviço de odontologia da Universidade Católica no segundo semestre de 2008 para confecção de novas próteses dentarias. Ao exame intra-oral, foi detectada lesão em forma de placa leucoplásica medindo 3x2cm em seus maiores diâmetros localizada próxima a região do arco palato glosso, de encontro com ramo ascendente mandibular esquerdo, com base séssil e crescimento exofídico, bordas endurecidas e apresentando deslizamento e sangramento ao pinçamento, não havia presença de enfartamento ganglionar. Como a lesão se encontrava por baixo da prótese do paciente, o mesmo não tinha conhecimento da mesma. Diante do caso, foi então indicada a biópsia incisional utilizando instrumental Punch Biópsia, já que a lesão estava em fase de exteriorização (Coleman & Nelson, 1996)[2] e em localização de difícil acesso cirúrgico. O paciente foi informado quanto a análise histopatológica do fragmento coletado confirmando o diagnostico de Carcinoma Epidermóde com áreas de microinvasão, e em seguida encaminhado para o Serviço de Cabeça e Pescoço do Hospital de Base do Distrito Federal – HBDF. Atualmente o paciente faz acompanhamento para proservação de sua lesão, estando a mesma sob controle, não apresentando recidivas.

DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

• O Carcinoma Epidermóide está entre as mais comuns neoplasias de cabeça e pescoço, alcançando uma alta prevalência de 90-99% de todos os cânceres de boca (Coleman & Nelson, 1996)[2];

• O sitio anatômico de maior prevalência é o lábio inferior, seguido da língua, soalho e outras regiões (Almeida & Cabral, 1992)[5];

• A idade média dos pacientes é de 60 anos, ocorrendo 95% dos casos em pacientes maiores de 45 anos e do sexo masculino (Chitapanarux et al, 2006)[3];

• Entre os fatores comumente considerados como predisponentes estão o tabaco, álcool, sífilis, deficiências nutricionais e luz solar (Shafer et al. ,1985)[4]. • No caso em questão, a lesão se apresentou com uma zona de ulceração associada a áreas leucoplásicas, porém, linfadenopatia e sintomatologia dolorosa não estavam presentes. Essas características estão de acordo com a literatura consultada. (SAMPAIO et al, 1981)[6];

• Quanto ao quadro histopatológico que confirmou o diagnóstico, verificou-se fragmento de neoplasia de origem epitelial caracterizada pela presença de células atípicas exibindo marcante pleomorfismo e hipercromatismo nuclear, além de figuras de mitose sendo algumas atípicas, nucléolos proeminentes e perda de relação núcleo citoplasma. O estroma adjacente é constituído por tecido conjuntivo com rico infiltrado inflamatório. Em algumas porções visualizaram-se áreas de micro invasão tumoral. • Visto que o paciente declarou na anamnese ser fumante de mais de 20 cigarros por dia, há mais de 30 anos, a principal hipótese como causa da lesão seria o fato de ser tabagista.

• Diante do caso relatado, fica exemplificado que o diagnóstico e correto encaminhamento de pacientes com suspeitas de lesões cancerígenas pode ser realizado por qualquer cirurgião-dentista, ou médico,que esteja bem familiarizado e atento à sinais e sintomas comumente apresentados por esses pacientes. Sugerindo ainda a necessidade de implantação de uma política de prevenção e controle do câncer oral nos consultórios, postos de saúde e estabelecimentos de ensino, no sentido de viabilizar a redução no número de novos casos, diagnóstico precoce e melhor prognóstico e tratamento dessas neoplasias.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1.SHAFER, W. G.; HINE, M. K.; LEVY, B. M. Tratado de Patologia Bucal. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Discos CBS, 1985. p. 80.

2.COLEMAN, G. C.; NELSON, J. F. Câncer bucal. In: Princípios de diagnóstico bucal. São Paulo: Guanabara Koogan, 1996. p.258-9.

3.Chi tapanarux  I, Lorvidhaya  V, Sittitrai P,  Pa tarasakulchai   E, Tharavichitkul   E, Sriuthaisiriwong P et al. Oral cavity cancers at a young age: analysis of patient, tumor and treatment characteristics in Chiang Mai University Hospital. Oral Oncology. 2006;42(1):83-8.

4.SHAFER, W. G. et al. Alterações do desenvolvimento e do crescimento. In: Tratado de patologia bucal. 4 ed. Rio de Janeiro: Interamericana, 1985. p.104-7.

5.ALMEIDA, J. A; CABRAL, G. L. Diagnóstico do carcinoma bucal. Rev Gaucha Odontol, v.40, n.3, p.167-89, mai./jun.1992.

6. SAMPAIO, M.C.C. et al. Carcinoma Espinocelular da boca I-Estudo de 236 casos. Ars Cv, v.8, n.2, p.69-76. mai./jun. 1981.

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Dr. Cádes Viana

Cirurgião-Dentista

 Gama, DF

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