Palestra para Idosos

  Caso clínico, 06 de Dez de 2010

Resumo

Palestra aos Idosos

A boca merece muita atenção quando falamos em pessoas idosas, porque é um local que de alguma maneira nos mostra como vai a saúde de uma maneira geral.

Uma pessoa que tem bons dentes pode sorrir, conversar, se alimentar, namorar, falar, e se relacionar com as outras pessoas de uma maneira muito diferente daquela que tem dentes faltando, quebrados ou cariados, gengiva que sangra, mau hálito, próteses desadaptadas e frouxas.

Não há dúvidas que, além do aspecto psicológico envolvendo a auto-estima, uma situação dessas pode causar outros problemas decorrentes da má alimentação, pela preferência por alimentos mais pobres do ponto de vista nutricional, e mesmo pela ingestão praticamente sem mastigar, dificultando muito a digestão e a absorção dos nutrientes pelo organismo.

Com o envelhecimento, algumas alterações ocorrem na boca, o que deve mudar é a idéia que temos de que perder os dentes e usar um par de dentaduras é uma conseqüência natural da idade.

A tendência atual é que o indivíduo envelheça com os dentes. Hoje se fala em prevenção em todos os aspectos. Não só em prevenção de cáries, mas prevenção de câncer bucal, de inflamações na gengiva, sempre no sentido de poupar as pessoas de sofrimentos com dor e perda de dentes.

Os principais problemas que costumam ocorrer na boca na terceira idade são:

Boca seca: hoje se sabe que isso é muito mais relacionado com o uso de medicamentos para tratamento de doenças crônicas do que com o envelhecimento em si. Os casos devem ser analisados individualmente por um dentista, e de acordo com os problemas decorrentes dessa secura (entre eles o mau hálito, ardência e até ulcerações, que trazem um grande desconforto), o médico deverá ser consultado para ver se há outra opção de medicamento.

Em alguns casos, a secura da boca pode ser atenuada com o uso de saliva artificial (que deve ser prescrita pelo dentista), ou mesmo com gelo triturado colocado embaixo da língua quando necessário.

Mau hálito: normalmente é decorrente da diminuição da quantidade de saliva, que faria a limpeza constante da boca, e da presença de resíduos sobre a língua, dentes e gengiva, devido à má higienização dos dentes e das próteses.

Cáries: dependendo da condição das restaurações presentes nos dentes, e dos cuidados tomados na escovação e no uso do fio dental, as cáries e infiltrações podem ocorrer como em qualquer outra idade, e devido à retração gengival que acontece com o avanço da idade, esses problemas atingem principalmente a região das raízes expostas.

Doenças da gengiva: gengivite e periodontite são as mais comuns, relacionadas à inflamação e infecção dos tecidos que sustentam os dentes. Sangramento gengival, mobilidade dentária, mau hálito e dores ao mastigar podem ser sinais da presença desses problemas, que se não receberem a devida atenção, podem levar à perda dos dentes.

Próteses desadaptadas: a gengiva que sustenta uma prótese sofre alterações com o tempo e com o uso, portanto, a sua adaptação tende a se modificar. Uma prótese desadaptada e “frouxa”, além de ser desconfortável para conversar e para se alimentar, favorece o aparecimento de infecções fúngicas, feridas, aftas, hiperplasias (crescimento gengival), que se não forem tratadas podem predispor o paciente a problemas ainda mais graves, como o câncer bucal.

O Que Fazer?

O ideal é que o paciente seja examinado por um dentista para identificar a causa dos problemas encontrados, e o tratamento pode ser desde uma substituição de um medicamento que causa a boca seca, ou de uma prótese desadaptada, limpeza dos dentes e gengiva, ou ainda pequenos procedimentos cirúrgicos, e devem sempre ser acompanhados de uma adequação dos procedimentos de higiene usados pelos cuidadores ou pelo próprio idoso, que seriam: Escovação dos dentes após as refeições, com escova macia, sempre fazendo movimentos delicados e circulares em todos os lados dos dentes, e de preferência usando o fio dental após todas as refeições ou ao menos uma vez ao dia.

Algumas Observações:

  • Recomenda-se que quando haja necessidade da atuação de um cuidador, essa higiene seja feita logo após a refeição, pois é um momento em que o paciente precisa ficar sentado por um tempo para não ter refluxo, e está em melhores condições de colaborar.
  • Existem no mercado escovas elétricas que auxiliam muito na limpeza dos dentes e gengiva, e é uma opção que traz uma relação custo-benefício muito boa.
  • Escovação da língua com escovas ou com outros dispositivos plásticos encontrados (raspadores de língua), ou mesmo uma colher, removendo cuidadosamente resíduos, até um limite que não provoque náuseas.

A dieta do idoso (deve ser à base de carnes, frutas, verduras, legumes, cereais e fibras e deve-se evitar o consumo de doces e refrigerantes), além da atenção que deve ser observada com relação a dificuldade que o idoso tem de alimentar-se (deve-se evitar que a a alimentação seja exclusiva ou habitualmente de alimentos moles).

Na boca existem bactérias que ficam juntas e formam a chamada "Placa Bacteriana". A "Placa Bacteriana" é a principal causa de cáries e doenças.

O idoso deve consultar um dentista para que avalie sua condição bucal, e no caso da "boca seca", sejam recomendados produtos que promovam bem estar, como por exemplo a saliva artificial para lubrificação da boca durante e após as refeições. No caso seja constatado a diminuição da quantidade de saliva devido o efeito colateral dos medicamentos, o uso de limpador de língua, uma vez por dia, ajuda a trazer “de volta” o gosto de certos alimentos que foi perdido com a xerostomia.

Um outro fato é que com o envelhecimento, há chances de que a gengiva comece a retrair e isso faz com que os dentes pareçam mais longos. Esse processo irá começar a expor a raiz do dente, podendo causar um maior risco de cáries, a chamada "cárie de raiz", e pode causar uma hipersensibilidade da dentina. Neste caso, a realização de uma higiene bucal diária perfeita, incluindo escovação e uso de fio/fita dental, mais os tratamentos regulares com flúor, podem ajudar o idoso a ter dentes mais resistentes à cárie e podem auxiliá-lo a aliviar a dor associada aos dentes sensíveis

Caso as placas não sejam removidas adequadamente, podem provocar uma série de doenças.

Os dentes artificiais das dentaduras exigem uma correta higiene para evitar o risco de disseminação de infecções que podem provocar a "endocardite" (inflamação de um tecido do coração) ou a "pneumonia por aspiração" dos microrganismos, e que podem levar o idoso à morte.

À noite, antes de se recolher, o idoso, após promover a limpeza da prótese, deve colocá-la em um recipiente fechado com água. Mas é importante que o idoso não durma com a prótese para proporcionar um relaxamento dos tecidos de suporte. Se o idoso tiver dentadura mas também tiver dentes, deve-se usar uma escova para dentadura e outra escova macia ou extramacia para os dentes naturais. Já os idosos que não têm dentes, devem promover a limpeza das mucosas e gengivas, utilizando-se de solução de digluconato de clorexidina a 0,12% sem álcool, aplicada numa gaze. Uma atenção especial deve ser tomada no caso de o idoso sentir dor de ouvido ou nuca.

Nesses casos, possivelmente a dentadura deve ser refeita. Após dois ou três anos de uso, o melhor a fazer é procurar um dentista para reavaliá-la e verificar a adaptação da prótese.

O cuidador é quem irá realizar a higiene bucal do idoso sob a orientação do dentista. Quando o idoso está acamado, o cuidador poderá se utilizar de abridores de boca para a realização da higienização e desta forma, poderá escovar os dentes do idoso com maior facilidade. E para o enxague da boca, poderá se utilizar de uma seringa descartável com água, onde a cabeça do idoso é direcionada para o lado e para a frente de uma vasilha em que a água irá sendo depositada.

O Câncer Tem Cura?

Sim, se diagnosticado no início, e tratado da maneira adequada, a cura do câncer de boca pode ser obtida na maioria dos casos. Metade dos casos no Brasil é diagnosticada tardiamente, a melhor maneira de reverter essa situação é com a informação e o auto-exame de boca.

Como Prevenir?

- Deixe de fumar; não beba em excesso;

- Proteja os lábios e a pele contra os raios de sol;

- Alimente-se de maneira saudável, com verduras, frutas e legumes

- Execute o auto-exame todo mês;

- Procure o dentista se tiver alguma dúvida ou notar qualquer alteração.

Auto-exame da Boca:

Todas as regiões da boca devem ser examinadas.

1- Diante do espelho, com uma boa iluminação, deve-se inspecionar e palpar todas as estruturas bucais e do pescoço.

2- lábios;

3 e 4- língua (principalmente as bordas);

5- assoalho (região em baixo da língua); gengivas;

6- mucosa jugal (bochecha);

7- palato ("céu da boca");

8- tonsilas ou amídalas.

Durante o auto-exame, os principais indícios a serem observados são: feridas que permanecem na boca por mais de 15 dias, caroços (principalmente no pescoço e embaixo do queixo), súbita mobilidade dental, sangramento, halitose ( mau hálito), endurecimento e ou perda de mobilidade da língua. É importante frisar que a dor pode ser um sinal de lesão avançada.

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Autora

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Dra. Alda Oliveira

Cirurgiã-Dentista

 Areado, MG

ENDODONTISTA
Clínica Geral para crianças, adultos e idosos; Dentística Estética; Cirurgia; Próteses; Ortodontia e OFM.

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